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GUARANÁ PAQUERA
Vitor Casemiro, 2025

Guaraná Paquera (zero-Edições, 2025) apresenta o registro de uma performance encenada ao longo de um ano no Instagram pela artista visual e pesquisadora Mariana Destro, construída a partir de uma série de imagens compartilhadas nos stories da plataforma. A obra se divide em três atos, nos quais os dois primeiros apresentam os episódios dessa performance e o terceiro a desconstrói e a analisa.
            As imagens compartilhadas durante a performance online expõem diversos clichês constantemente assistidos nas efêmeras 24 horas que ficam disponíveis nos stories do Instagram: selfies no espelho, academias, vistas de exposições, livros abertos, perfeitas mesas de café da manhã, correntes de dump mensal, manhãs na praia e matcha — bebida que virou símbolo de ação performativa —, entre outros signos do autoaperfeiçoamento e da construção de identidade na internet, praticada não só por produtores de conteúdo, mas por praticamente todos os usuários da plataforma, que hoje se comportam como influenciadores em potencial. “Um espetáculo de eventos ordinários, enquadrando o dia a dia para parecer ser algo maior do que é”, nas palavras da autora.
            Guaraná Paquera — cujas iniciais são GP, abreviação popular para o termo “garota de programa” — reúne toda a carga vivida por Mariana desde que começou a usar a internet, partindo de seu Fotolog, passando por sua experiência com camming e aplicativos de relacionamento até o Instagram. Este é um livro duro, que discute a natureza da autenticidade na era digital e critica a lógica neoliberal de produção e consumo de imagens, assumindo a comodificação do corpo e da subjetividade como gesto poético. Assim, a obra propõe a escrita e a performance como ferramentas de reconstrução identitária, capazes de produzir ficções que colocam em crise a misoginia estrutural e reconfiguram as possibilidades de existência na contemporaneidade.
            Finalizo este texto com a sensação de que a decisão de escrever sobre esse livro também é, de certa forma, um ato performativo e de construção da minha própria narrativa, clamando por absolvição, sentado num café lendo literatura feminista.













© 2026 Mariana Destro